Acessibilidade desde cedo

A acessibilidade é um tema bastante discutido atualmente, trazendo benefícios não só para as pessoas com deficiência, os idosos ou as pessoas com mobilidade reduzida, como também para a sociedade em geral. Diante da relevância desse tema é que a semente da acessibilidade deve ser plantada desde a infância, de forma lúdica e simples, mostrando para as crianças o valor da aceitação das diferenças, visando a formação de cidadãos em busca de seus direitos e pensando em formas de se melhorar as barreiras, seja física ou atitudinal, impostas pela sociedade.

Com base nisso, o jornalista e cartunista Maurício de Souza formulou uma história em quadrinhos apresentando a Turma da Mônica em situações do dia a dia, lidando com algumas barreiras e mostrando alguns conceitos básicos de forma fácil e atrativa para crianças e jovens.

Para isso, houve a criação de um personagem cadeirante amigo da Turma chamado Luca que, ao se mudar para outro bairro, teve dificuldade no acesso às ruas, à escola. Diante das barreiras encontradas por ele, vários pais se mobilizaram a favor de adaptações e com isso, percebeu-se que havia outras pessoas com deficiência nesse lugar, a exemplo de Dorinha que tem deficiência visual, o Humberto que tem deficiência auditiva e o André, que é autista. Então se modificou alguns espaços, facilitando a vida da vizinhança.

Outro tema importante abordado nessa história é a inclusão social, mostrando o valor das diferenças e que cada um contribui de sua forma para o equilíbrio da sociedade.

Para ler essa história em quadrinhos acesse o site (infelizmente, esta versão não é acessível a pessoas com deficiência visual. Se alguém souber da transcrição, por favor, nos avisa que postamos aqui): Turma da Mônica

 

Fábia Halana Pita

Thiago Diniz, artrite reumatoide juvenil e acessibilidade

Oi, pessoal. Hoje temos o relato de um dos nossos seguidores que, através do espaço “Conte sua história”nos contou um pouco da sua realidade e falou da falta que sente  com relação à acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência na sociedade. 

Meu nome é Thiago Diniz Pereira, tenho 20 anos, atualmente estou graduando Administração no IFPB. Minha deficiência iniciou-se aos sete anos de idade. Amanheci sem conseguir encostar o pé direito no chão. A princípio meus familiares desconfiavam de alguma fratura. Para resumir a ópera, depois de passar por radiografias e alguns exames, nenhuma fratura foi detectada. Depois de passar por alguns médicos, cheguei a uma reumatologista que diagnosticou o meu problema como: Artrite Reumatoide Juvenil.

Essa doença, nada mais é do que uma inflamação que se dá principalmente nas articulações. Até os 14 anos minha vida foi de inconstância quanto a doença. Em épocas eu estava muito bem, em outras mal conseguia andar. As dores sempre foram horríveis. Mas alguns remédios e a fisioterapia me ajudaram a superá-las em inúmeras vezes.

Aos 14 anos comecei a andar com auxílio de muletas, devido a doença se instalar no quadril, especificamente no fêmur direito, o que me impossibilita até hoje de ter uma marcha normal.

A acessibilidade é algo fundamental para quebrar as barreiras da indiferença e do preconceito em si. A pessoa com deficiência quer ter igualdade no acesso a prédios públicos e privados, ambientes turísticos… etc. Acredito que uma política pública especial a pessoas ESPECIAIS é algo que precisa ser executado com visão no amanhã. As cidades precisam ter adaptabilidade. Não apenas em seus bairros principais, mas ampliando isso aos bairros periféricos. É inaceitável, por exemplo, o desnivelamento de calçadas existente nos bairros periféricos da cidade de João Pessoa. Se algum cadeirante ou pessoa com mobilidade reduzida (idosos, muletantes…) quiser andar pela região, tem que ser pela rua, correndo risco de atropelamento.

Perguntamos ao Thiago se a sua deficiência se tornou barreira ou motivação para a busca da sua formação superior e ele nos respondeu:

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Flagra: caixa de autoatendimento do Banco do Brasil

O flagra foi registrado por Larissa Santos, no caixa do Banco do Brasil do antigo posto de gasolina entre a Av. Beira Rio (ou José Américo de Almeida) e a Rua Paulino Pinto, dia 09/05/2012.

Quando cheguei a este caixa havia um senhor, que utilizava uma bengala “T”, saindo do local lentamente. Percebi que seu carro estava bem próximo ao caixa e logo vi o motivo: ele apoiava-se no carro e na bengala para descer os degraus que dão acesso ao caixa.

Com muita dificuldade, ele venceu os degraus na descida, imagina o esforço que deve ter feito para subir os degraus. E se fosse um cadeirante? São dois degraus “apenas”, mas pra quê? Além de não possuir corrimão ou sinalização, esses degraus me parecem desnecessários. Se a elevação para o caixa for realmente necessária, então é preciso construir uma rampa para vencer este desnível e, para isso, há espaço suficiente.

Neste flagra destacamos apenas os degraus, sem levar em consideração os outros quesitos de acessibilidade não contemplados pelo autoatendimento que, como tantos outros, possui o Símbolo Internacional de Acesso (SIA) e não é acessível.

Nas imagens vemos, uma a uma: o carro próximo ao caixa, em seguida um foco nos degraus, depois uma imagem completa do caixa (onde se vê o SIA ao lado da porta) e uma foto da área onde o caixa se localiza (onde percebemos o espaço para a rampa).

 

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Acessibilidade em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI)

O Brasil sempre foi referência por ser constituído de uma população predominantemente jovem, porém, este quadro vem mudando com o envelhecimento destas pessoas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), 12,34% da população brasileira possui mais de 60 anos, o que corresponde a 23 milhões de pessoas, sendo 43,74% homens e 56,26% mulheres. Em 1991 essas pessoas representavam 9,1% do total e estima-se que em 2025 aproximadamente 14% da população brasileira será composta por idosos.

Naturalmente, ao longo da vida, o corpo humano começa a debilitar-se e começam a surgir condições que reduzem nossa mobilidade. Com o aumento do número de idosos no Brasil cresce a necessidade de um replanejamento das políticas públicas, o que pode evitar problemas futuros com os gastos previdenciários e auxiliar na organização social e projetual dos espaços e equipamentos urbanos.

No caso de uma ILPI – Instituição de Longa Permanência para Idosos (antes denominada de Asilo), além da barreira física, a gestão deve promover a eliminação das barreiras socioculturais, incluindo estes indivíduos que por muitas vezes tem suas necessidades negligenciadas e se omitem da convivência na sociedade.

No projeto de uma ILPI devem ser observados vários documentos, como, por exemplo, o Regulamento técnico da ANVISA, o Estatuto do Idoso, a NBR 9050/2004 e o documento de atenção à pessoa idosa do Ministério da Previdência Social (MPAS).

Utilizamos estas referências para analisar a acessibilidade em uma ILPI particular na cidade de Natal – RN, onde é possível ter noção de projeto para um lugar assim. Vocês podem conferir essa análise a seguir.

Portas e Janelas

As portas dos dormitórios possuem vão inferior a 80 cm, dimensão mínima exigida pela NBR 9050, pela ANVISA e pelo MPAS. As portas possuem cor contrastante em relação à parede adjacente, mas não existe luz de vigília sobre a guarnição superior. O travamento é simples, sem uso de trancas ou chaves e a maçaneta da porta encontra-se no padrão recomendado pela ANVISA, estando a 6 cm de distância da abertura da porta.

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Como sinalizar com acessibilidade e estilização

Comumente ouvimos pessoas utilizando ou se referindo ao símbolo internacional de acesso (SIA) de forma equivocada, quer seja com relação ao lugar de utilização ou pelo seu significado. Vamos tentar clarear algumas dúvidas baseando-se na NBR 9050/2004.

  • O símbolo internacional de acesso deve ser utilizado, segundo a norma, para identificar espaços, edificações, mobiliário e equipamentos urbanos acessíveis. Ou seja, não apenas para sinalização de portas ou vagas exclusivas, mas também para caixas eletrônicos exclusivos (acessíveis), por exemplo.
  • O SIA identifica locais onde existem elementos acessíveis ou utilizáveis por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Ou seja, o “símbolo da cadeirinha” não é representante apenas dos cadeirantes ou outra limitação física, não está excluindo as outras pessoas que precisam. A imagem adotada para representar todas as pessoas com deficiência. Se você é surdo, pode utilizar uma vaga exclusiva, por exemplo (mesmo que alguns prefiram não utilizar).
  • A norma determina que o SIA seja representado em combinações de azul e branco ou branco e preto, não permitindo nenhuma modificação, estilização ou adição a este símbolo. Ou seja, nada de símbolo amarelo com fundo rosa para representar o banheiro feminino acessível.

Com alguns exemplos que encontramos em portas de hotéis, podemos ilustrar melhor.
Na imagem a seguir vemos que, além de não possuir complemento (indicando se é um sanitário masculino, feminino ou unissex), o símbolo em material laminado não segue a norma, que determina sinalização em acabamento fosco, evitando-se o uso de materiais brilhantes ou de alta reflexão.
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Flagra: vagas reservadas nas ruas de Patos – PB

Os flagras a seguir foram registrados por Júlio César Fernandes

Este flagra foi no centro da cidade de Patos-PB. Em pouco mais de três minutos, uma moto e dois carros estacionaram na vaga reservada para pessoas com deficiência. No momento que as pessoas estacionavam, eu acionava a buzina do carro que eu estava e apontava para a placa, os motoristas da moto e do primeiro carro saíram e ainda agradeceram. No entanto, o motorista da imagem abaixo continuou parado esperando um dos passageiros saírem do estabelecimento que estava. Lembrem-se, esta vaga não é sua nem por um minuto! Você não sabe o momento que uma pessoa que realmente precisa da vaga irá estacionar.

Novamente em Patos, a imagem mostra uma vaga, aparentemente, reservada. Porém, sem sinalização vertical e com sinalização horizontal incorreta. Continue lendo

A mídia com Audiodescrição e Legendas

As comunicações que mais facilitam a interação entre a pessoa deficiência visual, o ambiente e outras pessoas são feitas através da emissão de sons. Existem diversos tipos de comunicação sonora que possibilitam a captação da mensagem por pessoas com percepção auditiva, inclusive surdocegas (com audição residual).
Alarmes sonoros, sistemas de leitura de tela, voz (locução), formato DAYSE e audiodescrição são recursos que podem ser utilizados no cotidiano de pessoas cegas ou com baixa visão. A norma técnica brasileira que contempla Acessibilidade – Comunicação na Prestação de Serviços, NBR 15599 (ABNT, 2008), especifica os recursos acima como: Continue lendo